Escrito por Mamy Sauro em 08 junho 2010

Recebi um email de uma amiga, perguntando: o que faz um país poder ser chamado de “desenvolvido”? Qual é a verdadeira diferença entre países ricos e países pobres?
Pensei. Seria a idade? Não. Acho que não, porque se fosse pela idade, Índia, Egito, muitos países da África, onde a civilização humana começou, países que têm mais de 2.000 anos de idade, seriam ricos. No entanto, esses países ainda são muito pobres. Por outro lado, Canadá e Austrália são países ricos e jovens, em relação a outras nações.
Não. Não é a idade que faz de um país rico ou pobre, desenvolvido ou não.
A diferença estaria, então, nos recursos naturais disponíveis ou no tamanho do país?
Não, também acho que não, porque se fosse pelo tamanho ou pela quantidade de recursos naturais, o Japão, que é “desse tamanhinho” e que possui um território limitado, inadequado para a agricultura e para a criação de gado, não seria a segunda economia mundial.
E nem a Suíça teria o melhor chocolate do mundo sem produzir cacau. Lá na Suíça só se consegue cultivar o solo quatro meses por ano. E só consegue criar um número limitado de animais. Mas produz os melhores laticínios do mundo. É um país pequeno que oferece uma imagem de segurança, de ordem e trabalho, e é conhecido como o caixa-forte do mundo. Todo mundo que tem muito dinheiro, manda dinheiro para a Suíça.
E aí vem a Índia de novo, um país que está na lista dos 10 maiores do mundo em extensão territorial e o segundo maior em número de habitantes. Mas é tão pobre ainda.
Então o que faz um país ser rico não é o tamanho. Não. Não é.
Inteligência e nível intelectual também não, porque os pesquisadores já comprovaram que a inteligência não está ligada a uma raça ou a uma nacionalidade e nem a uma comunidade específica. Há pessoas inteligentes em todas as camadas sociais e em todas as comunidades, em todos os lugares.
Ah essa hipótese automaticamente já está descartada. Tem gente inteligente em todo lugar e não só em países ricos e desenvolvidos.
E se não é a inteligência que faz a diferença, então nem pensar em raça ou cor da pele. A gente já sabe que são todos seres humanos e que tudo é apenas uma embalagem. Não é essa a diferença.
Pôxa, o que faz de um país, desenvolvido? Onde é que está a diferença entre um país rico e um país pobre?
Já descobriu? Já sabe onde está a diferença entre países ricos e pobres? Entre países desenvolvidos e não desenvolvidos?
Eu vou te contar: A diferença está na ATITUDE das pessoas, atitude moldada no decorrer dos anos, pela educação e pela cultura.
Se você observar um país rico e desenvolvido, vai perceber que lá, as pessoas seguem alguns princípios de vida, como a ética, a integridade, a responsabilidade, o respeito às leis, o respeito pelos direitos dos demais cidadãos, direitos da pessoa que está aí do seu lado, o amor pelo trabalho, o esforço para economizar e investir, o desejo de superar e a pontualidade.
Agora pensa num país pobre. E veja se lá as pessoas agem com ética, se são responsáveis, se respeitam as leis e os direitos do outro, se amam o trabalho, se essas pessoas se esforçam para economizar e investem tudo o que podem, se têm o desejo de superar seus desafios e seus problemas, veja se lá essas pessoas são pontuais.
E agora pense no Brasil.
Somos um país enorme, quase do tamanho do Canadá, três vezes o tamanho da Índia. Temos todo o espaço que precisamos para plantar, para criar animais. Recursos naturais não nos faltam. Ao contrário: temos a maior biodiversidade do planeta.
Se você parar pra pensar, é a nossa ATITUDE que faz do Brasil um país ainda não desenvolvido, é a nossa ATITUDE que faz do Brasil um país ainda muito longe da lista das nações mais ricas.
Estamos sempre querendo levar vantagem em tudo, sobre tudo e sobre todos. Só colaboramos ou fazemos um favor se tivermos alguma vantagem.
Um país em que alguns tiram dinheiro de um cofre que é público, que é do povo brasileiro, para encher o próprio bolso, não pode ser chamado de desenvolvido. E a nossa ATITUDE é ver tudo isso, até sabendo quem rouba… e deixar como está.
A falta de princípios é a raiz da nossa miséria.
Por isso, enquanto continuarmos deixando a ética de lado, agindo sem integridade (sem ser reto, íntegro, inteiro), enquanto continuarmos agirmos sem responsabilidade, sem respeito às leis, sem respeitar os direitos de quem está perto de nós…
…sem amor pelo trabalho, sem se esforçar pra economizar, se continuarmos desperdiçando…
Se a gente não empreender, não investir, seja na gente mesmo (estudando, buscando a melhor oportunidade), seja na familia (cultivando os laços amorosos, o respeito ao pai e à mãe, cultivando a educação quem vem de dentro de casa, os limites pra gente aprender até onde eu posso seguir sem ferir o direito do outro, onde eu aprendo quais são os meus direitos e quais são os meus deveres), seja investir na minha comunidade, na empresa onde eu trabalho , oferecendo o melhor de mim…
Se não tivemos o mínimo desejo de superar as dificuldades, de superar as barreiras e os desafíos que se apresentam à nossa frente…
Se continuarmos marcando um compromisso às 4 e chegando às 5 e meia… nada vai mudar.
Enquanto continuarmos jogando lixo pela janela do carro, latinha de cerveja no chão, resto de comida na beira do rio, enquanto continuarmos jogando cachorro morto no terreno do vizinho…
Enquanto a gente continuar estacionando o carro na frente do portão por onde o carro do outro vai sair a qualquer momento….
Enquanto a gente continuar com o som bem alto dentro de casa ou no carro, não deixando que o outro converse, estude, durma ou descanse, não seremos um país rico, um estado rico, uma cidade rica, um bairro rico, uma familia rica.
Definitivamente é a ATITUDE que faz a diferença entre ricos e pobres. É a atitude que faz um país desenvolvido.
E para encerrar, vou deixar pra você um pensamento bonito de um italiano chamado Jorcelangelo Conti:
- Os pensamentos geram atitudes;
- Atitudes geram hábitos;
- Hábitos geram um estilo de vida;
- Estilo de vida é o reflexo do caráter;
- O caráter de um povo é o reflexo daquilo que ele pensa;
- Nós somos o que pensamos e não o que pensamos que somos.
Diante disso, qual será a sua atitude?
—
Mamyssauro
